Fonte: Revista Pib Data: Dez/07 Jan/08

A Vanguarda da Internacionalização
O setor siderúrgico
Por: João Paulo Nucci 

Está na vanguarda do processo de internacionalização das empresas brasileiras. Gerdau e Vale, com suas megaoperações na América do Norte, lideram o ranking das transnacionais com sede no país, preparado pela Fundação Dom Cabral (FDC), de Belo Horizonte, em parceria com a Columbia University, dos Estados Unidos. É a segunda que o ranking é elaborado. E é a segunda vez que a Gerdau aparece na ponta. A edição de 2006, porém, possuía critérios diferentes, o que impede o cotejo de dados. “Adequamos nosso estudo para torná-los possível de comparação com outros 12 países emergentes que estão preparando rankings semelhantes”, diz o professos Luiz Carlos Ferreira de Carvalho, coordenador do Núcleo de Negócios Internacionais da FDC. 

O trabalho brasileiro, que leva em consideração dados de 2006, foi o primeiro a ficar pronto no projeto coordenado pela Columbia que vai redundar num ranking internacional de companhias transnacionais. O estudo de ser concluído até 2010. “Cada país enfrenta dificuldades próprias para fazer o trabalho. Obter informações na China, por exemplo, é bastante complicado”, diz Lical, como é mais conhecido o professor Carvalho. 

No Brasil, o método utilizado foi colher informações diretamente com as empresas, já que o universo de companhias que são obrigadas a publicar balanço ainda é pequeno no país. Foram enviados questionários para 90 das cerca de 800 empresas brasileiras que possuem alguma atividade além – mar. As 32 que responderam constam do ranking. São levado em consideração na formação do índice de transnacionalidade o volume de vendas, o tamanho dos ativos e a quantidade de empregados que cada companhia mantém no estrangeiro. O índice, é claro, é proporcional a tamanho de cada empresa. Por isso uma companhia, média do setor químico como a Artecola, por exemplo, aparece entre as duas gigantes (Andrade Gutierrez e CSN). 

O que chama atenção à primeira vista no ranking (que inclui empresas financeiras) é a diversidade de setores representados. Além da siderurgia, estão lá empresas da cadeia automobilística como a Sabó, a Marcopolo e a Randon, grandes empreiteiras como Odebrecht, Camargo Correia e Andrade Gutierrez e companhias produtoras de tecnologia da informação, entre outros. “É uma diversidade em setores de alto nível”, diz o professor Lical. 

Apesar da presença da pequena Bematech (de automação comercial) no ranking, o professor observa que os negócios de menor porte são os grandes ausentes do processo de internacionalização brasileiro. “As pequenas e médias ainda precisam descobrir que globalização das atividades é um caminho para o crescimento e as condições hoje são muito favoráveis”. Segundo ele, o câmbio no nível atual torna o investimento em outros países mais acessível. Além disso, tanto bancos oficiais quanto os privados possuem linhas de crédito específicas para investimento no exterior. “É uma janela que deve ser aproveitada”, diz Lical. “As condições não vão ficar favoráveis para sempre”.